Hash House Harriers
Do haring ou hashing até o on out.
The case
Os Hash House Harriers começaram em Kuala Lumpur em 1938, quando um grupo de oficiais coloniais britânicos começou a correr trails pela selva nas segundas-feiras à noite para suar os excessos do fim de semana. Mais de oitenta anos depois há mais de dois mil chapters ativos em todos os continentes, e o formato é essencialmente o mesmo.
No Brasil o hash encontrou terreno fértil. São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades têm chapters ativos, com a mistura de expatriados e brasileiros que abraçaram a tradição com o entusiasmo que os brasileiros reservam para coisas que valem a pena. A cerveja gelada nunca foi um problema. A música tampouco — o circle brasileiro tem energia própria, com canções que ganham vida de um jeito que Kuala Lumpur de 1938 não poderia ter previsto. E o on-after no Brasil é uma ocasião séria.
O que o HHH sempre entendeu é que a corrida é a desculpa, não o objetivo. O objetivo é o pack. Os trails são projetados para manter o pack junto — checks e false trails diminuem os front runners, back checks trazem as pessoas de volta, e o beer stop reúne quem se dispersou. Quando o circle se forma, um grupo de pessoas que talvez não se conhecesse no início passou noventa minutos navegando o mesmo caos juntas. Isso faz algo com as pessoas.
On on.
Hash House Harriers
- Você é hare ou hasher hoje? Hare? Continue. Hashing? Pule para o @16.
- Confirme os detalhes com seu co-hare se tiver um. Horário de início, local de início, comprimento do trail combinado, localização do beer stop, quem traz o quê.
- Fazer o scout do trail. Caminhar ou correr o percurso completo antes do dia do laying. Saber onde estão os checks, para onde vão os false trails e onde fica o on-in. Um hare que não andou o trail é um hare que leva down-down.
- Planejar os marks. Start mark, trail marks a cada 50–100 metros, checks, back checks, indicadores de true trail, setas de false trail, beer near, beer here, on-in. Saber o que você vai marcar e o que vai deixar o pack encontrar.
- Preparar o kit. Farinha, giz ou papel — suficiente para todo o trail mais reserva. Bolsa, apito, celular carregado. Material para o beer stop se você for montá-lo. Troco para o hash cash se for cobrar.
- Pôr o trail — início até o primeiro check. Marcar com clareza suficiente para ser encontrado, mas não tão claramente que vire um passeio. Primeiro check à vista do início.
- Pôr os false trails. Mínimo três marks num false antes da seta de volta. Longo o suficiente para separar o pack, curto o suficiente para não perder os front runners de vez.
- Pôr o trail — primeiro check até beer stop. Variar o terreno onde possível. Um bom trail tem pelo menos uma opção longa e uma curta. Não pode ser tudo asfalto.
- Montar o beer stop. Cerveja gelada, água, algo para comer se o trail for longo. Marcar o beer near com clareza — nada pior do que um pack que passa o beer stop sem ver.
- Pôr o trail — beer stop até on-in. O trecho final deve trazer o pack para casa satisfeito, não destruído. Guardar a subida cruel para antes do beer stop, não depois.
- Marcar o on-in com clareza. Vários marks. O pack não deve ter nenhuma dúvida. Preparar a área do circle — espaço suficiente, um ponto de referência, lugar para o RA ficar de pé.
- Fazer o briefing do pack no início. Comprimento do trail, tempo aproximado, perigos, número de checks, localização do beer stop se for dizer. Breve. Eles querem correr, não ouvir.
- Passar o hash flash e qualquer informação relevante para o GM ou RA. Candidatos ao naming, assuntos do hash, visitantes para dar boas-vindas.
- Chegar ao on-in antes dos front runners. Ou estar preparado para as consequências.
- Preparar seu down-down. Você pôs o trail. Vai levar um de qualquer jeito. Aceite.
- Verificar o kit. Tênis adequado para o terreno, agasalho se precisar, celular carregado. Hash cash se for hash pago.
- Chegar ao início na hora. Na hora significa cinco minutos antes. O hare faz o briefing uma vez só.
- Ouvir o briefing do hare. Comprimento do trail, perigos, número de checks. Memorizar — não vai poder perguntar de novo.
- On on — seguir o trail. Mark a cada 50–100 metros. Se não viu uma mark faz tempo, provavelmente está num false. Chamar de volta.
- Trabalhar os checks. Abrir em leque. Chamar on on quando achar o true trail. Chamar check back se estiver num false. Não ficar simplesmente seguindo a pessoa na frente.
- On back — respeitar o back check. Se você passou uma mark de back check, foi longe demais. Voltar.
- Beer near — diminuir o ritmo e achar o beer stop. Não passar. O hare colocou ali por um motivo.
- Beer stop. Beber, comer se tiver comida, esperar o pack se reagrupar. Isso é metade do ponto.
- On on a partir do beer stop. O trail continua a partir de uma mark perto do beer stop. Encontrar antes de começar a correr.
- On in. Chegou. Encontrar a área do circle. Esperar o pack chegar.
- O circle se forma. GM ou RA chama o circle. Encontrar seu lugar. Hashers de um lado, harriets do outro, virgins no meio se for esse tipo de hash.
- Down-down do hare. O hare é chamado. Bom trail ou trail uma merda — o down-down acontece de qualquer jeito.
- Visitantes e virgins. Dar boas-vindas como deve ser. Virgins levam down-down. Visitantes recebem boas-vindas.
- Acusações e infrações. O RA estava olhando. Tênis novo, roupa errada, boas ações, mau comportamento — tudo é punível. Dar um passo à frente quando chamado.
- Hash hymns. Swing Low não é opcional. Saber a letra. Se não sabe, aprender.
- Naming ceremony se aplicável. O naming committee deliberou. O nome vai ser embaraçoso. Aceitar com graça.
- Hash cash. Pagar se ainda não pagou. Não ser esse hasher.
- On out. O circle está fechado. O bar, o restaurante ou o próximo hash — para onde o pack for a seguir.
Gambiarra à vontade
A seção do hare é a que as pessoas realmente precisam de ajuda. Pôr um bom trail é mais difícil do que parece do lado do hasher. O scouting do passo #3 é o passo que a maioria dos hares pula — geralmente os mesmos hares que levam o down-down mais barulhento no passo #27. Andar o percurso. Saber o que vai pôr antes de pôr.
Os false trails do passo #7 são onde está a arte. Curtos demais e o pack passa direto. Longos demais e você perdeu os front runners e os back markers ainda estão no check. Três marks sólidas no false, uma seta de volta clara, e o pack fica junto como deve.
O beer stop do passo #9 não é luxo — é estrutural. Ele reagrupa o pack, dá tempo ao hare para chegar ao on-in, e lembra a todos para que o hash existe. Um trail sem beer stop é um clube de corrida. No Brasil, onde a cerveja gelada e a comida pós-hash são levadas a sério, o beer stop é o prelúdio de algo importante — e o on-after tende a se estender bem além do circle.
O circle existe de alguma forma em cada hash do mundo, de Kuala Lumpur a Nairóbi a São Paulo. Os rituais variam — as músicas diferem, o RA conduz as coisas de maneira diferente — mas a forma é a mesma. O hare leva down-down. Virgins são bem-vindos. Alguém é acusado de algo. Swing Low é cantado. On out.